Filipe: Um Obreiro Competente.

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Vivemos dias em que a competência é um importante requisito para a sobrevivência em qualquer área profissional. Isso é ponto pacífico. O que muitos aspirantes ignoram é que para desenvolver-se no ministério cristão, também são necessárias certas competências. Foi o próprio Senhor Jesus quem abordou a necessidade de sermos produtivos, sob pena de sermos cortados por Deus: “Toda vara em mim que não dá fruto, ele a corta; e toda vara que dá fruto, ele a limpa, para que dê mais fruto” (Jo 15.2). Embora o texto abranja os cristãos de modo geral, defendemos que muito especialmente aquele que desenvolve um ministério cristão precisa ser competente naquilo que faz.

Longe de querermos dar uma conotação profissional ao ministério sagrado, pois cremos piamente no Deus que chama e que também capacita, certo é que temos que apresentar algum preparo mínimo necessário para desenvolvê-lo, pois inevitavelmente estamos sempre sendo avaliado por aqueles que nos ouvem.

Em se tratando do ministério sagrado, obviamente que as competências para desenvolvê-lo não são as mesmas exigidas no mundo corporativo. Por isso mesmo, devemos buscar exemplos primordialmente nas páginas da Bíblia Sagrada, nosso manual por excelência. E foi lendo o histórico ministerial de homens separados por Deus especialmente para o Seu serviço que me chamou a atenção um personagem em especial, a saber, Filipe, o qual, segundo meu modesto entendimento, reúne as virtudes de um obreiro realmente competente, quais sejam:

Integridade.

Inegavelmente esta é uma das mais caras virtudes nos dias atuais, porém imprescindível na vida de qualquer que se disponha a exercer o ministério sagrado. A Bíblia nos dá testemunho de que Filipe gozava de boa reputação perante a Comunidade Cristã Primitiva, a ponto de ser reconhecido como apto a ser engajado no seleto corpo ministerial: “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarreguemos deste serviço. O parecer agradou a todos, e elegeram a Estevão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe (...) (At 6.3,5). Deduzimos que antes de se preocupar com sua popularidade no meio da igreja, Filipe se preocupou com sua integridade perante a igreja e não demorou para que fosse separado pelo Espírito Santo. Com isso aprendemos que nossa vida deve falar de Jesus antes mesmo que nossas palavras. Alguém disse em verdade: “Preocupe-se mais com o seu caráter do que com sua reputação; porque o seu caráter é aquilo que você realmente é, enquanto que a sua reputação é o que pensam de você e o que pensam de você é problema deles”. Antes de se preocupar com o que estão pensando sobre você, preocupe-se primeiro com o que Deus está pensando de você!

Comunhão Com O Espírito Santo.

Como já frisamos, o padrão do ministro evangélico não pode ser buscado no mundo corporativo simplesmente, pois este caminha por vista, enquanto o homem de Deus caminha por fé. Infelizmente muitos são aqueles que adotaram um modelo empresarial na gestão de suas igrejas. O resultado já começa aparecer: crentes estéreis, tratados como números. Mas não queremos alargar esta abordagem aqui, pelo menos por enquanto, pois não é este o foco desta reflexão. Em contraste com o modelo acima mencionado, feliz é aquele que ainda conta com a direção do Espírito Santo em seu ministério. Vemos isto na vida de Filipe. Longe de um modelo metódico e de planejamentos cansativos, ele simplesmente desenvolvia seu ministério evangelístico dirigido pelo divino Espírito Santo, o qual lhe dava as coordenadas de como avançar. Primeiramente um anjo do Senhor lhe apareceu (At 8.26) e depois o próprio Espírito Santo lhe orientou como agir: “Então, disse o Espírito a Filipe: Aproxima-te desse carro e acompanha-o”. (At 8.29). Do ponto de vista racional e calculista, o projeto evangelístico de Filipe era um projeto dispendioso e sem retorno aparente, mas porque o Espírito Santo não erra nunca a Etiópia de então conheceu o evangelho através daquele eunuco, um anônimo de passagem por Jerusalém, evangelizado por Filipe, que tinha sensibilidade e intimidade com o Espírito Santo. Leia neste portal o Artigo “Missão transcultural: O fenômeno migratório em Portugal”. Os evangélicos pentecostais são unânimes na opinião de que o Evangelho tem crescido vertiginosamente no Brasil e por extensão pelo mundo afora através dos missionários enviados, não porque inicialmente fora feitos arrojados e estratégicos projetos de expansão, mas porque dois pioneiros, a saber, Daniel Berg e Gunnar Vingren, dirigidos pelo Espírito Santo semearam a mensagem do Evangelho Integral e a expansão foi uma conseqüência, pois o Senhor estava neste negócio. “Eles, pois, saindo, pregaram por toda parte, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que os acompanhavam." Mc 16.20. Portanto, Comunhão com o Espírito Santo é algo inegociável para desempenhar qualquer serviço para o Senhor e Ele dará o crescimento!

Conhecimento Bíblico.

Aqui reside a tônica desta reflexão. Quando falamos de competências para desempenhar o ministério sagrado, indubitavelmente o conhecimento bíblico é de muita importância. A sociedade globalizada está fortemente influenciada pelo conceito relativista, doutrina humanista que prega que ninguém tem a verdade última sobre nada, tudo é relativo. Se o ministro não tiver pleno conhecimento da Verdade, cedo se encontrará carregado de dúvidas e questionamentos nas próprias questões relacionadas ao seu ofício. Leia neste portal o Artigo “Pressupostos para uma pregação eficaz em tempos pós-modernos”. Filipe é um exemplo de um evangelizador que conhecia as verdades que pregava: "Respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro? Então Filipe tomou a palavra e, começando por esta escritura, anunciou-lhe a Jesus." (Atos 8.34-35). Observe que Filipe não se limitou a dar vagas explicações nesta passagem específica; antes, tomou-a como ponto de partida e certamente explicou para seu ouvinte o que estava descrito acerca do Messias ao longo do Antigo Testamento. Filipe expunha seus conhecimentos bíblicos com tanto domínio e convicção que o Espírito Santo produziu fé no coração do eunuco. Quanto mais caminhavam, mais Filipe explicava e mais o eunuco cria. O resultado foi o seguinte: "E indo eles caminhando, chegaram a um lugar onde havia água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Felipe: é lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e Filipe o batizou." Atos 8. 36-38. Não existe maior defesa para provar a nossa competência no ministério santo do que quando o resultado da equação final são almas salvas!

Soli Deo Glória!

Pr. Samuel Silva é Bacharel em Teologia. Membro da CGADB. Secretário Exec. da COMADEUR (Conv. Dos Ministros das Ass. de Deus para Europa). Missionário credenciado pela SENAMI. Pastor da Assembléia de Deus em Missão de Almada, Portugal.