Um Olhar Critico-social Sobre Consumo e Endividamento

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Contextualização De Tiago 4.1-3

Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais e nada tendes; logo matais. Invejais, e não podeis alcançar; logo combateis e fazeis guerras. Nada tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites”. (ARA)


É claro e evidente que a mídia em geral faz uma grande pressão para se ter rapidamente aquilo que se deseja. Diante do forte apelo ao consumo e invariavelmente sem acesso a ele, a população via de regra escolhe percorrer o caminho mais curto, ou seja, recorrem ao crédito. Com a agravante que, tanto o acesso ao crédito quanto a “facilidade” de pagamento do mesmo, estão acessíveis até mesmo aos menos favorecidos. O reflexo desta escolha nem podia ser outra: as famílias estão tremendamente endividadas.

Mas é de se perguntar: O que leva ao excesso de consumo? Ou para ser justo com alguns, o que leva a consumir acima das possibilidades, levando ao endividamento? O fator primordial são os baixos rendimentos, o que impossibilita a sociedade em geral a atender suas necessidades básicas e ainda poupar alguns para posteriormente adquirir bens patrimoniais e consumir sem se endividar.


Outro fator tão lógico quanto este é a verdade inegável que o ser humano busca ter as suas necessidades preenchidas, desde as necessidades elementares onde reside o instinto de sobrevivência como comer, vestir e morar, até as ditas secundárias como a realização pessoal, o status, a satisfação do ego, etc.


As peças publicitárias são concebidas para atingir o âmago da psique humana, levando muitas vezes o consumidor a mudar o seu comportamento frente ao consumo, e não raro determinando-lhe o que é importante para sua vida. Assim, a sociedade atendendo a esses apelos engenhosamente criados, é levada a gastar o que não tem, caracterizado no empréstimo.


Para resistir a esta tendência, é preciso primeiramente conscientizar-se que esta influência realmente existe, para posteriormente posicionar-se de forma resistente e assumir um auto-controle frente esses apelos.

No embate contra o consumismo, a busca por cultura e conhecimento é preponderante, pois neste contexto cultural depara-se com fatores como valores morais, leitura de mundo, conceitos sobre sucesso e realização pessoal; fatores tão determinantes para orientar o comportamento e até depurar os desejos do indivíduo.

Outros fatores igualmente importante estão na área da pessoalidade, tais como a motivação e a Fé; motivação para continuar buscando seus ideais, pois não estamos propondo um aniquilamento existencial e Fé , assim mesmo, em maiúscula, pois a vivência de uma Fé não utilitarista muito ajuda na conquista da realização do ser. Repito, realização do ser, não do ter!


Por ignorar verdades como estas é que existe um contingente de pessoas desajustadas psicologicamente e muito frustradas com sua crença e por conseguinte frustradas com Deus, por não terem seus caprichos e desejos miraculosamente atendidos. Posso explicar: Muitas vezes, a fé utilitarista leva a pessoa ao endividamento pois o individuo crê [irresponsavelmente] que Deus fará o milagre da multiplicação e conseguirá saldar o compromisso. Como tal não ocorre, vem a frustração, entrando-se por vezes num ciclo doentio caracterizado pela ansiedade, pela tristeza, pela frustração. Geralmente a figura final deste quadro é o ceticismo, a depressão e em casos extremos até mesmo o suicídio, primeiramente espiritual e depois existencial.

Fazemos parte de um sistema que tem incutido na mentalidade da imensa maioria das pessoas a necessidade de pertença a classe social elitizada, a ascensão, o status. O efeito disso tudo é que buscando preencher esta aclamada necessidade do reconhecimento social, a população menos esclarecida busca a qualquer preço o estilo de vida da classe dominante.


Deve-se ter consciência das capacidades financeiras individuais reais e não fictícias, pois o empréstimo é uma falsa sensação de poder de compra, quando não o é. Quando falamos em empréstimo, falamos desde o simples crediário até o Leasing, passando pelo cheque especial e o cartão de crédito. Não ambicionar mais do que o orçamento permite já é um bom começo, mas parece que ainda mais urgente é mudar de atitude em relação a esta tendência social: o consumismo.

Para o sábio, o suficiente é abundância!


SOLI DEO GLÓRIA!

Pr. Samuel Silva é Articulista, Teólogo e Pedagogo. Prfº de Teologia Sistemática. Membro da CGADB. Missionário credenciado pela SENAMI. Líder da Ass. De Deus Missões – ADM em Portugal. (Quinta do Conde) Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.