QUEM É O MEU PRÓXIMO?

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Este título diz respeito a um dos clássicos dos ensinos do Mestre expresso em Lucas 10. 25 a 29. O certo doutor da lei de que trata a Bíblia, em seu diálogo com Jesus, mostrou-se exímio conhecedor dos ditames da lei judaica, porém, assoberbado, inquiriu a Jesus sobre a pessoa do seu próximo. Jesus com extrema sabedoria e presença de espírito, arquitetou uma narrativa alegórica, a chamada Parábola do Bom Samaritano, envolvendo nesta história a figura de um homem, vítima de cruéis salteadores, e de três personagens, um sacerdote, um levita e um samaritano. Deduz-se que o ‘certo doutor da lei’ tenha concluído, em sua linha de raciocínio, ser o sacerdote a principal figura nesta ordem de amor ao próximo.

  Puro engano. O samaritano, pessoa com cuja raça os judeus não mantinham qualquer relacionamento particular e íntimo, ao ver aquele homem caído ao chão, sentiu compaixão, administrou-lhe os primeiros socorros, colocou-o sobre sua condução, levou-o para uma hospedaria. Deixou dinheiro com o hospedeiro e a recomendação pelo ressarcimento de gastos futuros. Quem era a pessoa assaltada e espancada? Não se sabe. O seu nome? Não registroQuem então é o próximo? Qualquer pessoa. O estrangeiro, o mendigo, o parente, o colega de ministério, o pobre, o desempregado, o enfermo, o órfão, a viúva, o encarcerado, o que jaz à margem da estrada e não guarda nacionalidade.

Para a humanidade todos são iguais, desde que sejam brancos, ricos, doutores, pastores de grandes igrejas etc. Hoje, como ontem, pensa-se apenas na posição social, nos lucros, nos empreendimentos. E os que estão à margem da estrada que leva a Jericó? Estes ficam por conta da má gestão do Estado. Não podemos ver apenas um corpo deformado, espancado, sangrando, mas um ser humano tal qual somos. O samaritano não foi o primeiro a identificar a pessoa do ferido, mas foi o que se compadeceu daquele ser humano. Pouco lhe importou a posição social do ferido.   Deixemos de lado a posição e atitudes do sacerdote e do levita e façamos uma profunda reflexão sobre o assunto em pauta. Nós evangélicos que pregamos o amor, a hospitalidade, a boa fama, o amparo, socorro, estaremos atuando ou procedendo de forma satisfatória diante das contingências da vida ou nos escusamos com bons pretextos diante do fato concreto? “Perdoe-me, mas estou com muita pressa, tenho uma reunião importante, não posso atendê-lo”. “Nem olho para este moribundo, porque não posso ver sangue!” “Detesto hospital!” “Órfão e viúva é problema para seus familiares”. Essas são as desculpas que mais se ouvem, quando tudo é mais importante, menos o próximo. “A piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da vida que lhe há de vir (1 Tm 4. 8).” Amar a Deus implica, necessariamente, amar ao próximo.