Exortação à santificação: o relacionamento com Deus e com os homens

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A santidade é um dos atributos de Deus (SOARES, p. 72). Deus é santo e isso significa que está totalmente envolvido em brilho, separado da sua criação (Is 40.25), inspira temor e reverência na criação, é glorioso, é solene. Sua santidade O isola do mal (Hc 1.13); Ele é merecedor do louvor (Sl 99.3). A santidade de Deus deve ser imitada (Lv 11.44): a santificação é desejo de Deus para os salvos (1 Ts 4.3) e Deus santifica os escolhidos para sua obra (Jr 1.5).

A santificação é o processo pelo qual o cristão torna-se uma pessoa dedicada a Deus, ao seu serviço e à sua glória, promove o amor, o respeito, a justiça e a paz entre os homens e abstém-se das impurezas e imoralidades (Lv 19; 2 Co 6.14-7.1; Hb 12.12-16).

Se na justificação o cristão torna-se livre das conseqüências do pecado, pela santificação o cristão se afasta do domínio do pecado e caminha para a glorificação, em que não conviverá mais com do pecado (Nelson’s Complete Book of Bible Maps and Charts, The Christian Life). A santificação é requisito para entrar na presença de Deus (Hb 12.14).

A santificação e a comunhão com Deus

Deus deseja a santificação do homem holístico (1 Ts 5.23). A vontade de Deus deve nortear cada aspecto da vida do crente (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, p. 1692).

Garland (p. 336) mostra que a Igreja é o templo de Deus, ou seja, onde Deus habita (1 Co 3.16). Assim como Deus habitava e se movia no meio de Israel (Lv 26.11,12), Ele habita e passeia no meio da Igreja (2 Co 6.16). Cada cristão é o templo do Espírito Santo e não é dono de seu corpo, mas Deus é; Cristo pagou caro e nossa vida deve glorificá-lO (1 Co 6.19,20).

O Pastor Antônio Gilberto (GILBERTO, p. 364) mostra a santificação do crente em dois sentidos: separação do mal e dedicação a Deus. Assim, a santificação não ocorre somente na negação do mal, mas, em sentido positivo, servir a Deus com todos os recursos que Ele concede ao homem, tais como os talentos, os dons, os bens, o tempo, os serviços, o dinheiro, enfim, com a própria existência.

Champlin (Santidade, p. 84) corrobora com esta visão. A santificação vai além da impecabilidade. É o conhecimento do amor de Cristo, a participação nos atributos divinos e nas suas qualidades morais (Ef 3.19; 2 Pe 1.4). É a transformação moral que culminará na glorificação futura, em que o homem participará eternamente da glória de Deus. O processo de santificação se dá pelo poder do Espírito Santo (2 Co 3.18). Deus ama o crente (idem, p. 85) e por isso deseja santificá-lo (Sl 4.3).

Para o Pastor Antônio Dionízio (SILVA, p. 100) a santificação só é possível por causa dessa participação do Espírito Santo. A santificação é a transformação do caráter do homem para fazer a vontade de Deus. O propósito de Deus é que o homem seja como Ele.

A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal (p. 1453) ensina que o cristão se santifica através da fé e da obediência à Palavra de Deus. A aplicação diária da Palavra de Deus tem um efeito purificador na mente e no coração do crente porque lhe mostra os seus pecados, o motiva a confessá-los e o guia novamente para um relacionamento com Cristo.

Um dos aspectos da participação divina na santificação do crente é a correção (Hb 12.5-11); pode ser momentaneamente dura e desconfortável, mas o crente deve aceitá-la com gratidão a Deus, reconhecendo que a correção é prova do amor divino para manter o cristão em santificação (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, p. 1747).

A santificação e a comunhão com os santos

Segundo Champlin (Comunhão, p. 821), o homem é um ser comunitário. Na igreja local, a comunhão entre os membros se dá pela Santa Ceia do Senhor, pelos cultos, pelos louvores, pelas contribuições (idem, p. 822). Paulo afirma que todos os crentes são um só corpo, unidos em Cristo (1 Co 10.17).

Em relação à Igreja Universal, A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal (p. 1453) mostra que Jesus pediu a união e a santificação dos discípulos e de todos os crentes, incluindo os da atualidade (Jo 17.11,17-23).

Para o Pastor Antônio Dionízio (SILVA, p. 64-65), o crente, a exemplo de Jesus, deve procurar manter bons relacionamentos, acompanhar pessoas, participar de grupos. Porém, esses relacionamentos só podem ser saudáveis se a pessoa souber buscar as próprias habilidades, dadas por Deus.

O Pastor Elienai Cabral (CABRAL, p. 39) mostra como Paulo tentou estabelecer um relacionamento fraterno com os coríntios (2 Co 6.11-13) abrindo seu coração e prontificando-se sempre à reconciliação. Apela aos coríntios que “dilatem” seus corações de forma a receber e corresponder ao amor do apóstolo.

A comunhão dos cristãos é a participação nas alegrias e tristezas (2 Co 9.14; Fp 1.7) uns dos outros, a ajuda material (Rm 15.26,27), o compartilhamento dos recursos materiais (At 2.44; 4.32) e o tratamento preferencial dado ao outro (Rm 12.10).

Paulo recomendou aos tessalonicenses a sinceridade, a honestidade e o amor no trato entre os cristãos (1 Ts 4.5-10). Ser santificado é resultado da maneira como o cristão trata os demais (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, p. 1689).

Esse relacionamento saudável entre os irmãos é cultivo e resultado da santificação individual e coletiva, produto do fruto do Espírito (Gl 5.22) que, além de nos aproximar de Deus, reflete os atributos de Deus em nossa vida. O fruto do Espírito é a expressão da santificação e da participação nos atributos divinos; aproxima o homem de Deus e promove a comunhão entre os santos.

A santificação, o relacionamento com o mundo e o jugo desigual

O crente dever estar separado do mal de forma a tornar-se participante da glória divina. (CHAMPLIN, Santidade, p. 85). O cristão deve procurar uma vida de independência financeira e profissional diante dos gentios, de forma que não seja, eventualmente, constrangido a adotar práticas impróprias à santificação (1 Ts 4.11,12).

Isso porque as associações com pessoas que possuem objetivos espirituais divergentes do cristianismo podem ser desastrosas para a vida cristã (2 Co 6.14). Quem toma o jugo de Cristo (Mt 11.30) não terá sucesso em dividir esse jugo com quem nega Cristo. Os que se associam a infiéis (2 Co 6.15) correm o risco de eventualmente irrigar o terreno do inimigo, ou seja, contribuir com o pecado (Garland, p. 330-333). A felicidade e a prosperidade do crente dependem ausência de comunhão com os ímpios e da dedicação à santificação (Sl 1.1-3).

Mas quem são os infiéis (2 Co 6.15) a que Paulo se refere?

Para Garland (p. 330-333), podem ser pessoas da própria comunidade cristã que dão mau testemunho e, apesar do título de cristão, têm atitudes indignas de um cristão (1 Co 5.11). Essas pessoas não devem participar da Santa Ceia e devem ser excluídas da Igreja (1 Co 5.13).

Também podem ser pessoas indignas de confiança, que a qualquer momento podem mudar de direção e causar tensão no relacionamento e nos objetivos cristãos.

Ainda, podem ser as pessoas que apresentem como cristãs, mas não têm compromisso com a Palavra de Deus e que por isso não restringem suas ações aos padrões bíblicos, comprometendo a reputação do cristão que a elas se associam.

Por fim, podem ser não cristãos, já que estes não vivem sob o jugo de Cristo. São pessoas incrédulas que habitam nas trevas da idolatria e da imoralidade e adotam valores, princípios, crenças e práticas divergentes do cristianismo.

Essas associações incluem o casamento, parceria em negócios, companheirismo ideológico e até mesmo amizades pessoais. Cabe ao cristão julgar, de acordo com a liberdade cristã (1 Co 10.22-33), como seus relacionamentos interferem em sua fé e sua santificação (CHAMPLIN, Russel N. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo: Volume 4, p. 359).

"Pode Deus ter algum acordo com o mal?" (2 Co 6.15) A pergunta retórica indica que qualquer acordo que os cristãos estiverem envolvidos, em que tenham que renunciar a algum interesse de Deus ou de seu Reino, dando margem a impurezas do mundo, é contra-indicado. O deus deste século promove a escuridão enquanto os ministros de Deus promovem o esclarecimento (2 Co 4.4).

Paulo alerta para a participação em festas profanas (1 Co 10.20). Participar destas festas pode ser culto ao diabo e Cristo não senta na mesma mesa que o diabo.
Paulo quer que os coríntios evitem associações que os levem à idolatria (2 Co 6.16). Champlin (Idolatria, p. 206) define idolatria como honrar, reconhecer, venerar e confiar pessoas, objetos, instituições, ambições, e qualquer outra coisa, colocando-as no lugar do Deus verdadeiro.

Atualmente, além da adoração de imagens e de participação em festas idólatras (festas juninas, por exemplo), a idolatria pode ocorrer na busca desenfreada por valores que substituem o ideal cristão, que tiram Cristo do centro da vida. Jesus identifica o amor ao dinheiro como evidência de idolatria (Mt 6.24). O trabalho e a carreira profissional, quando desloca a pessoa de uma vida saudável de relacionamento com Deus, com a família e com a Igreja pode ser considerado um ídolo (What Does The Bible Say About, p. 7).

O Pastor Elienai Cabral (CABRAL, p. 41) entende que evitar o jugo desigual não significa a ruptura total da comunicação com os infiéis, senão seria impossível viver neste mundo (1 Co 5. 10). Os relacionamentos com os descrentes devem preservar a fé do crente e, se possível, influenciar os descrentes para levá-los à salvação (1 Co 14.24). Nos relacionamentos com os infiéis é importante ter bom senso, sem legalismo fútil, usando da liberdade em Cristo para avaliar cada situação e obedecer à consciência cristã (1 Co 10.22-33).

Por exemplo, a santificação não exige a dissolução de casamento já estabelecido, mesmo caracterizado como jugo desigual (1 Co 7.12-15). A santidade do matrimônio permanece mesmo que um dos cônjuges não seja crente.

O cristão deve procurar parcerias, preferencialmente, com outros cristãos, porque os objetivos comuns facilitam o entendimento. Paulo somente pediu a Filemon que recebesse Onésimo como irmão e não como escravo fugido por causa da comunhão que tinha com Filemon (Fm 16,17). Fosse Filemon um ímpio seria impensável tal pedido (GARLAND, p. 333).



Portanto, a santificação, é dom de Deus, quando ocorre a conversão, é esforço contínuo do crente no progresso da carreira cristã, em seu relacionamento com Deus e com os homens e, por fim, é a glorificação futura final, dada por Deus, fazendo os salvos inteiramente participantes da glória eterna do Senhor.


FONTES:

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

CABRAL, Elienai. Lição 8: Exortação à santificação. In: Lições Bíblicas: 1º Trimestre de 2010: 2 Coríntios. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

CHAMPLIN, Russel N. Comunhão. In: Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia: Volume 1. São Paulo: Hagnos, 2008.

CHAMPLIN, Russel N. Idolatria. In: Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia: Volume 3. São Paulo: Hagnos, 2008.

CHAMPLIN, Russel N. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo: Volume 4: 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, Efésios. São Paulo: Hagnos, 2002.

CHAMPLIN, Russel N. Santidade. In: Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia: Volume 6. São Paulo: Hagnos, 2008.

CHAMPLIN, Russel N. Santificação. In: Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia: Volume 6. São Paulo: Hagnos, 2008.

FALWELL, Jerry. HINDSON, Edward. WOODROW, Michael Kroll. The KJV parallel Bible Commentary. Edição eletrônica Libronix. Nashville: Thomas Nelson, 1994.

GARLAND, David E. The New American Commentary: 2 Corinthians, Volume 29. Edição eletrônica Libronix. Nashville: Broadman & Holman Publishers, 1999.

GILBERTO, Antonio. Soteriologia: a doutrina da salvação. In: Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
Nelson’s Complete Book of Bible Maps and Charts. Edição eletrônica Libronix. Nashville: Thomas Nelson, 1996.

SILVA, Antônio D. Dos tropeços à Santificação. Campo Grande: Nétester, 2009.

SOARES, Ezequias. Teologia: a doutrina de Deus. In: Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

What Does The Bible Say About. Edição eletrônica Libronix. Nashville: Thomas Nelson, 2001.