Sua família: um projeto de Deus – uma casa na Rocha

Artigos - Artigos

Avaliação do Usuário: / 10
PiorMelhor 

A palavra família é de origem latina e é usada para definir um vínculo doméstico, íntimo (Barnabés, 2009)*. Família é um grupo social formado por pessoas que, tipicamente, embora não necessariamente, estão sob uma ou mais destas condições: ligam-se por algum grau de parentesco ou afinidade, vivem sob o mesmo teto, compartilham um sobrenome.

Os propósitos dessa associação projetada e instituída por Deus, segundo Champlin (2001, pg. 4309)*, são:


1- Procriação da humanidade – Deus dá à primeira família a responsabilidade de promover o crescimento populacional (Gn. 1. 28). A reprodução humana fora do núcleo familiar tem trazido sérios problemas pessoais e sociais aos envolvidos e às suas famílias originárias.

2- Prazer sexual para o casal – o ideal do cristianismo (e de outras religiões e ordenamentos jurídicos de muitos países) é que a intimidade sexual seja desfrutada estritamente dentro do casamento, sendo por este limitada (Pv. 5. 15-20, 1 Co 7. 1-5) . Um relacionamento sexual satisfatório é o meio mais eficiente de prevenção contra a infidelidade (Bíblia da Mulher, 2003, pg. 789)*.

3- Subsistência (Gn 3. 19) – a necessidade de sustento da família leva seus membros economicamente capazes a unirem-se para empreender e buscar renda suficiente para sustentar o grupo todo com o máximo de segurança e conforto. Isso promove o desenvolvimento e especialização das profissões, que são elementos essenciais no desenvolvimento econômico de qualquer sociedade humana.

4- Educação – A educação começa no seio da família (Dt 6. 6, 7). A criança que desfrutar maior qualidade na educação doméstica entra no sistema escolar com maior vantagem.

5- Proteção – Os membros mais fortes da família protegem os mais fracos. Os pais e irmãos maiores normalmente são responsáveis por proteger as crianças menores; o homem protege a mulher (Ef. 5. 25) e a ela dá a preferência (1 Pe 3. 7).

6- Promoção do bem-estar afetivo e emocional (Sl 133) – ninguém vive bem sem o afeto da família. Pesquisas apontam que pessoas casadas são mais saudáveis (SCHOENBORN, pg. 11)* e vivem mais (GOLDANI, 1999, pg. 4)*. Crianças criadas em orfanatos ou sujeitas à negligência afetiva dos pais (ainda que as necessidades materiais sejam satisfeitas) são mais propensas a dificuldades de socialização e transtornos psiquiátricos (BALLONE, 2004)*. É obrigação do crente a demonstração de afeto à sua própria família (1 Tm 5. 4).

Além dessas funções, a família também é uma plataforma moral e espiritual para a pessoa servir a Deus, notadamente no estudo da Palavra (Dt 6. 4-9; Pv 22. 6), no serviço do Reino de Deus (Js 24. 15), na evangelização de seus membros ainda não salvos (RODRIGUES JÚNIOR, 2008, pg. 1)*.

A família tem necessidades econômicas, sociais, afetivas, cognitivas, biológicas e espirituais. A estrutura espiritual da família é o alicerce que definirá a sua integridade e a sustentará quando as estruturas econômicas, mentais e biológicas de seus membros forem afetadas pelos ventos e chuvas da vida.

A estrutura espiritual é ensinada por Jesus em Mt 7. 24-27: edificar a casa na Rocha. A Rocha é Cristo e os fundamentos dessa edificação são ouvir e praticar a Palavra de Deus (v. 24), ou seja, obedecer a Cristo. Jesus chama de prudente quem assim procede.

O insensato, quando inicia uma edificação, olha apenas para o aspecto superficial da areia (terreno nivelado, sem as irregularidades e dureza das rochas, como se já estivesse pronto para receber a construção) e sua aparência suave (Champlin, 2002, pg. 337)*. Olha também para a facilidade da construção sem um alicerce sólido, concentrando-se nas paredes e telhado, ou seja, na aparência, nas riquezas materiais, na capacidade individual, na inteligência humana.

Mesmo sendo a mais importante instituição social estabelecida por Deus, a cada dia, a família enfrenta violentos ataques. Esses ataques são inevitáveis e não dependem da vontade da família ou de seus membros. As chuvas, ventos e inundações virão para todas as famílias, atingirão a todos. A diferença é como cada família reage a esses eventos e o quanto sua estrutura pode suportar a mais abundante chuva, o mais forte vento e a mais pesada inundação.

As chuvas atingem o teto e a aparência exterior da construção. Representam, entre outras coisas, as aflições temporais, pequenas inseguranças do casal, discussões eventuais, insatisfações cotidianas, aborrecimentos familiares, desobediência dos filhos, doenças comuns, falhas de comunicação, interferências indesejáveis de terceiros.

Os ventos atingem as paredes e estruturas superiores da casa. Representam problemas tais como infertilidade em casais que desejam filhos, problemas sexuais definitivos ou persistentes, desemprego recorrente do provedor do lar, grandes perdas econômicas, perda de um membro da família, diferenças de valores morais fundamentais, doenças terminais ou incapacitantes, agressões físicas, objetivos de vida divergentes, e outros eventos que abalam significativamente e persistentemente os membros da família.

Os rios e enchentes atingem os alicerces da casa. Significam a ausência de fé, o distanciamento de Deus, a valorização excessiva da aparência, do dinheiro e da capacidade pessoal, a prioridade para as ambições pessoais em detrimento da vontade de Deus e dos interesses dos outros familiares. Os rios e enchentes são sempre acompanhados de chuvas e ventos.

Esses ataques atingem indistintamente todas as famílias e criam dificuldades para que a família cumpra as suas funções. Não existe família perfeita, em que tudo sempre está bem. Mesmo as famílias dos heróis da Bíblia eram imperfeitas, pois eram formadas por pessoas imperfeitas. Da mesma forma, as famílias dos cristãos, sejam ministros ou leigos, passam por dificuldades.

Para ter e manter a resistência diante dessas dificuldades, não devemos cometer o erro de tentar construir um lar com nossas próprias forças. Precisamos da graça e misericórdia de Deus para construir uma família saudável de acordo com o projeto que Deus estabelece: a obediência à sua Palavra. O sucesso e a felicidade da família, portanto, está em ter a Palavra de Deus como fundamento e orientação para suas funções. A casa bem sucedida é aquela edificada no Senhor (Sl. 127. 1). Reconhecer a soberania de Deus em nossas vidas e em nossas famílias é a chave para a solução dos problemas advindos das tempestades da vida (1 Pe 5. 6, 7).

A família será mais saudável e cumprirá melhor suas funções se seus membros estiverem na presença do Senhor fazendo sua vontade; a Igreja, formada por essas famílias, será mais saudável; a sociedade, por sua vez, será beneficiada, porque os cristãos cumprirão seu papel de sal da terra e luz do mundo e estarão melhor preparados para receber as pessoas e as famílias que entregam-se a Cristo e, também, desejam edificar sua casa na Rocha.

Que a Paz do Senhor e as Suas bênçãos sejam derramadas sobre todas as nossas famílias!


Referências:

BALLONE, Geraldo José. Criança adotada e de orfanato. 2004. http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?sec=12&art=52. Disponível em 3/9/2009.

BARNABÉS, Alexander de Paula. Família: a mola mestra da sociedade. Psique, São Paulo: Escala, nº 37, 2009.

A BÍBLIA DA MULHER. São Paulo: Mundo Cristão, 2003.

CHAMPLIN, Russel Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2002.

GOLDANI, Ana Maria. Mulheres e envelhecimento: desafios para novos contratos intergeracionais e de gênero. In: CAMARANO, A. A. (org.). Muito além dos sessenta. Os novos idosos brasileiros, Rio de Janeiro: IPEA, Cap. 3, p. 75-114, 1999. http://www.un-instraw.org/en/docman/ageing/mulheres-e-envelhecimento-desafios-para-novos-contratos-intergeneracionais-e-de-genero/view.html. Disponível em 3/9/2009.

RODRIGUES JÚNIOR, Milton. Servindo a Deus na família. In: IGREJA PRESBITERIANA DE GOIÂNIA. Boletim dominical, ano XIX, nº 7, pg. 1. http://pipg.org/ump/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=33&Itemid=55 disponível em 3/9/2009

SCHOENBORN, Charlotte A. Married adults and health: United States, 1999-2002. Advance data for vital and help statistics; nº 351, Hyattsville, Maryland: National Center for Health Statistics, 2004. http://www.cdc.gov/nchs/data/ad/ad351.pdf - disponível em 3/9/2009.